Perdemos todos nós
O que se previa aconteceu!
Acabaram abrindo e contando os votos da eleição ocorrida no dia 15 de outubro, anulada pela mesa eleitoral diante de irregularidade estatutária.
Foi mais um golpe ao estatuto da Associação dos Delegados de Polícia do Pará (Adepol-PA).
Vimos com tristeza, na assembléia do dia 12/11, vários colegas se posicionando a favor de mais uma irregularidade.
Prevaleceu o “achismo” em detrimento aos princípios e as regras do direito, sob os mais pueris argumentos. Lamentável, triste, patético, desalentador, que integrantes de uma carreira que luta para ser reconhecidamente como jurídica tenham agido como se fossem uma outra categoria profissional que não cultiva a ciência jurídica, se deixando levar, sabe lá porque, pela manipulação de um grupo que se apoderou da direção da Adepol-PA há vários anos, sem nenhum resultado significativo.
E assim, perdemos todos nós!
Segundo divulgado no site da Adepol-PA, a chapa “Coragem de Vencer” dos 352 votos válidos, obteve 36 votos, significando 10%. Descontados os 22 integrantes da chapa que votaram, 14 outros colegas acreditaram na chapa da mudança.
E a chapa da situação, com todo o aparato – usando a sede da entidade como comitê, e todos os recursos ali existentes, incluindo telefones convencionais e celulares, transporte, combustível, funcionários e assessores, o site e etc e tal, contando ainda com o escancarado apoio da atual administração da Polícia Civil, alcançaram apenas 53% dos votos válidos, muito menos do que na eleição de 2007.
Vê-se, portanto, que a maioria está satisfeita ou conformada com a forma de atuação da atual direção, entenda-se presidência, da Adepol-PA, mas o percentual de aceitação diminuiu muito com relação ao pleito de 2007.
Ao iniciar o atual governo estadual a maioria dos delegados se encheu de esperança, tanto pela mudança partidária, como pela vinculação da atual presidente e futura vice-presidente da Adepol-PA ao PT, o partido da governadora.
“Será mais fácil”, devem ter imaginado e esperado muitos colegas, até nós, que conseguíssemos o avanço das alardeadas conquistas.
Que conquistas?
Ah, deixa pra lá, tolerávamos, o importante é que consigamos a tão sonhada isonomia. Ledo engano!
As “conquistas” na realidade se deram no campo familiar que nem é preciso esmiuçar aqui, pois todos sabem e vêem, em detrimento das reais conquistas de caráter coletivo. E assim, perdemos todos nós.
Muitos esperaram que, sendo a presidente e seu marido petistas de carteirinha, transitariam livremente nos bastidores governistas para conseguir significativos resultados.
Nesse tempo várias categorias obtiveram consideráveis avanços salariais, a exemplo dos defensores públicos, tendo nos bastidores um defensor público com o mandato de deputado estadual e que é de um partido de oposição ao governo estadual do PT.
Também, os procuradores do Estado e por fim os fiscais da SEFA.
Surpreendente que os colegas não tenham percebido esses fatos e ainda acreditem em mudança, em avanços, que existem apenas no campo da falácia.
Diz um ditado que “o tempo é o senhor da razão”.
Caetano escreveu uma canção com os versos:
“... Compositor de destinos / Tambor de todos os ritmos / Tempo, tempo, tempo, tempo / Entro num acordo contigo / Tempo, tempo, tempo, tempo...”.
E só o tempo para dizer que mais uma vez foram iludidos.
Ficou o registro de um número significativo de 36 delegados que não estão satisfeitos com a atual situação, que por certo não se iludem com o jantar anual promovido em clube de elite, mas que quiseram a mudança que não ocorreu.
Mesmo encerrada a fase eleitoral, este blog ficará ao alcance de todos, como prova de que houve um dia uma chapa com proposta séria, corajosa, sincera, para se opor ao governo de plantão, voltada ao interesse coletivo e não o interesse de alguns poucos como vem acontecendo.





