A ELEIÇÃO DA ADEPOL-PA NÃO VALEU!
Foi uma festa com final melancólico a eleição de hoje da Associação dos Delegados de Polícia do Pará (Adepol-PA), quando mais de 350 delegados compareceram à sede da Adepol-PA para votar nas três chapas: “Coragem de Vencer”, “Transparência e Modernidade” e “Avançar ainda mais nas conquistas(?)”, pela ordem na chapa de votação.
O pleito iniciou às 9 horas, quando já havia aproximadamente 30 delegados que se distribuíam no apertado auditório, sala de recepção e corredor, inclusive alguns de serviço que precisavam votar e retornar para suas delegacias, algumas de municípios próximo a capital, quando a delegada Perpétua Picanço finalmente entregou um envelope contendo as cédulas de votação, que precisavam ser rubricadas pelo três integrantes da Comissão Eleitoral (CE), que tiveram que se desdobrar para rubricar as cédulas, ante a ansiedade dos votantes que já aguardavam, alguns, desde às 8 horas.
Ao chegarmos ao edifício Palácio do Rádio, na avenida Presidente Vargas, centro de Belém, às 07 horas, já encontramos integrantes das duas chapas, sendo que o apertado espaço existente na entrada do prédio, tanto na parte externa, como da recepção estava tomado por baners, cartazes e adesivos das chapas, predominando os da chapa da situação, contrariando o que ficara previamente estabelecido em reunião das chapas.
O único material que a chapa “Coragem de Vencer” levou foram dois baners, folders e adesivos.
Ao observármos que no local de recepção do prédio, próximo aos dois elevadores, havia dois baners da chapa da situação e um da outra chapa concorrente, dirigimos-nos até o marido da presidente Perpétua Picanço, ponderando que, argüindo o princípio da isonomia e da cordialidade que deve haver entre chapas concorrentes, principalmente quando se tratam de colegas de profissão, pedindo que este nos cedesse espaço para colocarmos um de nossos baners, quando então ficariam representadas as 3 chapas de forma proporcional naquele privilegiado espaço. Mas, eis que o “primeiro damo” da associação em um rompante de posseiro, com descortesia e intransigência bradou: “Eu cheguei primeiro. Não vou tirar nada! Se quiser pode colocar em outro lugar”, tendo, inclusive, havido a intervenção de colegas da outra chapa em nosso favor, mas o príncipe consorte continuou intransigente.
Só restou a nós a alternativa de usarmos nossos dois únicos baners e folders na sala de recepção da Adepol-Pa e na parede próximo a entrada. Mais tarde, o “primeiro-damo” ao verificar isso, passou a afixar cartazes e adesivos por todas as paredes da sala de recepção, conforme mostram as fotos acima, assim como nas paredes do corredor e até, pasmem, no piso desde a entrada do elevador até a sala de votação, num espaço de aproximadamente 50 metros em afrontosa demonstração de desperdício de farto material empregado na campanha, desnecessário, diante da qualidade do eleitorado.
Outros incidentes foram observados e o que mais sofreu censura das mulheres foi o fato de terem que dividir o banheiro com os do sexo oposto, já que o banheiro da sala da presidente da Adepol-PA e atual candidata a vice ficou indisponível para as colegas, diante de sua privilegiada disponibilidade apenas para a presidente e quem sabe seu marido.
Terminada a votação às 18 horas, iniciou-se o processo apuratório, inicialmente com a contagem das cédulas de votação depositadas na urna e a conferência das assinaturas, oportunidade em que detectou-se a divergência da quantidade de cédulas com o número de assinaturas, fulminado de ilegalidade o pleito que viria ser declarado nulo pela presidente da CE.
Essa decisão foi provocada pelos representantes das chapas “Coragem de Vencer” e “Transparência e Modernidade”, Rubenita Pimentel e Luiz Fernandes, respectivamente, argüindo a nulidade do pleito, à inteligência do § 3º, do art. 70 do Estatuto da Adepol-PA que assim dispõe: “Não sendo coincidente o número de cédulas com aquele dos eleitores será anulada a eleição, procedendo-se da forma determinada no § 1º do art. 72” .
A situação poderia ter tido sua condução de forma pacífica e educada, considerando-se que ali todos possuem formação jurídica, alguns mestres e doutorandos, com a obrigação de conhecer regras processuais elementares de Direito, mas, as atitudes foram não condizentes com a presunção de conhecimentos jurídicos, tendo os atores passado a berrar seus “achimos” e interpretações equivocadas quanto a elementares conhecimentos jurídicos, chegando um deles a ameaçar a presidente da CE de impetrar mandado de segurança, como se esta estivesse exercendo uma atividade pública, a configurar como autoridade coatora no writ.
Lamentável a conduta dos colegas da chapa da situação inconformados com a decisão da presidente da CE, cuja decisão segura e convicta, ensejou sofrer constrangimento, principalmente pelo seu frágil estado de saúde e que ali estava sem ônus, apenas para colaborar com o processo eleitoral, sendo a mais atacada pelo “bi-vice” Dilermano, candidato a presidente pela chapa da situação, havendo a intervenção de outros colegas para que se contivesse. Vale ressaltar que uma experiente colega também deu seu show de “achismo”.
Resultado: as cédulas foram acondicionadas em um envelope e lacradas, tendo o “bi-vice” exasperado ainda insistido que a presidente da CE levasse para sua casa, sendo vencido diante de outros argumentos de que tal material permanecesse depositado na sede da Adepol-PA.
Foi apresentado um requerimento de DILERMANO insistindo com a contagem dos votos, dizendo em tom ameaçador que iria interpor medida judicial contra a presidente da CE, o que, se vier acontecer pode resultar em uma longa ação judicial.
Parece ser essa a intenção da chapa da situação, pois, na eleição de 2007, um dos representantes de uma chapa concorrente obteve medida liminar para suspensão do pleito, sob a alegação de inelegibilidade, tendo Perpétua obtido a cassação dessa liminar, cuja ação até hoje não teve seu mérito julgado.
Só que desta vez os rumos de suas ações podem ter resultado diverso da anterior.

3 comentários:
A anulação se deu por conta da omissão da Presidente da Adepol que não se preocupou em preparar a eleição, gastou todo seu tempo em angariar votos para sua chapa. E agora, eles estão dizendo que a anulação foi provocada pelas chapas concorrentes. É muita cara de pau.
No site da ADEPOL foi publicado hoje que a "culpa" da anulação da eleição foi "das chapas concorrentes". É muita cara de pau, associado ao desconhecimento das normas estatutárias.Gostaria de saber quem bancou aquele festival de desperdício de propaganda eleitoral. Adesivos caros pregados no chão, servindo de tapete, canetas finas, abridores de garrafas caros, etc. Isso tem de ficar TRANSPARENTE.
É muito tempo mesmo, somente da data da inscrição das chapas até o dia da eleição são dois meses. A Adepol-PA tem três delegados a sua disposição - PERPÉTUA, MAZOLA e PICANÇO, além de três funcionárias. Será que não é gente suficiente para programar e realizar o pleito? Até as cédulas ficaram para ser copiadas em xerox minutos antes da eleição. É muita desorganização. Será que é essa desorganização que eles chamam de conquistas? Avançar muito mais ainda na desorganização?
E além do mais, é muita ingenuidade alegar que foram as chapas que anularam a eleição? Como? Chapa pode anular? Será que não sabem o que é nulidade? Eles não sabem o que é arguição de nulidade? Bem, se não sabem e demonstram essa ignorância, em que mãos está nossa Associação!
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